domingo, 28 de agosto de 2011

Revolução Francesa

Para fazer o download do arquivo em .doc, clique aqui


A Revolução Francesa, modelo clássico de revolução burguesa, foi um movimento social e político que transformou profundamente a França de 1789 a 1799. Sob o lema "Liberdade, Igualdade e Fraternidade", a burguesia revoltou-se contra a monarquia absolutista e, com o apoio popular, tomou o poder, pondo fim aos privilégios da nobreza e do clero e livrando-se das instituições feudais do Antigo Regime.

ANTECEDENTES
No fim do século XVIII, a população francesa estava dividida politicamente em três ordens. O clero compunha o Primeiro Estado; a nobreza, o Segundo Estado.
Eles eram os mais privilegiados, sustentado os pelos impostos pagos pelo Terceiro Estado, que cor respondia a cerca de 98% dos habitantes e era composto de burgueses, trabalhadores urbanos e camponeses.
À época, o país enfrentava sérias dificuldades econômicas. Além de endividada externamente, a França via sua agricultura sofrer com secas e sua indústria a minguar por causa da concorrência inglesa. Como solução, os ministros do rei Luís XVI, influenciados pelo liberalismo, propuseram cobrar impostos da nobreza e do clero, até então isentos de tributos. As classes dominantes pressionaram contra o projeto, e a situação política ficou tensa.

ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTE
O rei convocou a Assembléia dos Estados Gerais, que se reuniu em 1789. Nesse órgão, cada Estado tinha direito a um voto, o que garantia o domínio da nobreza e do clero, tradicionais aliados. Cansado de não ter voz, e ao ver a aristocracia abalada pela crise econômica, o Terceiro Estado se rebelou: proclamou-se Assembléia Nacional Constituinte, dedicando-se à elabora ação de uma nova Constituição para a França.
A população envolveu-se. Em 14 de julho, os parisienses tomaram a Bastilha (imagem ao lado) - prisão que simbolizava o poder monárquico -, no episódio que marcou o início da revolução.

Grande parte da nobreza fugiu do país e os revolucionários avançaram para o interior, atacando seus castelos. Em agosto, a Assembléia Constituinte anulou os direitos feudais remanescentes e aprovo ou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que estipulava liberdades individuais e estabelecia a igualdade de todos perante a lei.

ASSEMBLÉIA NACIONAL LEGISLATIVA
Em 1791 foi finalizada a Constituição. O texto conservava a monarquia, mas instituía a divisão do Estado nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, proclamava a igualdade civil e confiscava os bens da Igreja. Foi eleita a Assembléia Nacional Legislativa a, com voto censitário (condicionado à renda), de modo o que a maioria dos membros pertencia à elite burguesa. Os deputados estavam divididos em três grupos. Os girondinos, representantes da alta burguesia, sentados à direita do plenário, eram mais conservadores e combatiam a ascensão dos "sans-culottes" (os que não usam culotes, traje da nobreza, ou seja, o povo; imagem ao lado). Os jacobinos, à esquerda, representavam a classe média e pequena burguesia, eram apoiados pelas camadas populares e buscavam ampliar a participação do povo no governo. Os deputados do centro, a maioria, apelidado os de grupo do pântano, oscilavam entre jacobinos e girondinos. Preocupadas com os eventos ocorridos no país vizinho e apoiadas pela nobreza francesa refugiada e pelo próprio Luís XVI, que havia debandado para a Áustria e sonhava em voltar ao poder -, Áustria e Prússia invadiram a França em 1792. Liderados por Maximilien Robespierre, Jean Paul Marat e Georges-Jacques Danton, jacobinos e sans-culottes organizaram um exército, venceram os estrangeiros e assumiram o governo do país. Formaram as guardas nacionais e radicalizaram a oposição aos nobres.

CONVENÇÃO
A pressão popular fez com que se formasse uma nova Assembléia, dessa vez eleita por sufrágio universal, para preparar outra Constituição. A Convenção, como ficou conhecida, funcionou entre 1792 e 1795. Fortalecidos, os jacobinos proclamaram a República em 20 de setembro de 1792. No ano seguinte, guilhotinaram Luís XVI, capturado durante a guerra. Começava o Período do Terror, que e durou de 1793 a 1794. Sob o comando de Robespierre, foi criado o Tribunal Revolucionário, encarregado de prender e julgar traidores. Milhares de pessoas foram guilhotinadas, incluindo jacobinos acusados de conspiração, como Danton e o jornalista Desmoulins. O governo jacobino foi popular, conseguiu controlar os preços, mas as perseguições levaram à perda do apoio o do povo. Os membros da Convenção acabaram se voltando contra Robespierre, que foi preso e executado. Assim, chegava a fim a supremacia jacobina. Os girondinos, em aliança com o grupo do pântano, instalaram novamente no poder a alta burguesia.

DIRETÓRIO E NAPOLEÃO
Os novos líderes decidiram redigir outra Constituição, instituindo o governo do Diretório (1795 -1799), que consolidou as aspirações burguesas. Nesse período, o país sofreu ameaças externas, e, para manter seus privilégios, a burguesia entregou o pode ao general Napoleão Bonaparte (ao lado).
Popular por suas conquistas militares, ele deu um golpe de Estado em 1799, o 18 Brumário, instalando um novo governo, o Consulado. Nesse sistema, a nação era administrada por três cônsules, dos quais Napoleão era o mais influente. Em 1804, o general coroou-se imperador.
Prosseguiu a expansão territorial, formando um grandioso império que incluía a Áustria, a Holanda, a Suíça, a Itália, a Bélgica e a península Ibérica. Também implantou o Código Civil, que confirmou a vitória da revolução burguesa e influenciou a legislação de todos os países europeus no século XIX. Napoleão foi derrotado por uma coalizão de potências européias em 1815. Reunidas no Congresso de Viena, no mesmo ano, elas retomaram os territórios perdidos e restauraram o poder político da nobreza no o continente.
Mas não por muito tempo. A partir de 1830, com as Revoluções Liberais, que começaram na França e se espalharam pela Europa, o Estado burguês concretizado por Napoleão foi reerguido, comprovando que as mudanças trazidas pela Revolução Francesa tinham vindo para ficar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário